domingo, 26 de fevereiro de 2017

Comunicação entre espécies - Sheila Waligora*






Sheila Waligora é veterinária e dedica-se à comunicação entre espécies. No exercício da prática clínica utiliza tratamentos naturais, entre os quais homeopatia, aromaterapia, terapia com essências florais e minerais, além de massagens e orientação alimentar. Em Botucatu, São Paulo, ela faz atendimentos em domicílios para promover a solução de questões ligadas ao relacionamento com os animais. Para Sheila, os animais são seres espirituais que, além do seu corpo físico e mental, têm também um corpo espiritual. Vegetariana desde os sete anos, em 2000 tornou-se vegana. Sua proposta que não é só de trabalho, mas filosófica, visa colaborar para o bem-estar dos animais e dos seres humanos que convivem com eles. Esta visão é apresentada no livro publicado em 2006, Eu falo, tu falas… eles falam, onde a autora revela processos e casos da comunicação entre espécies. Nesta entrevista exclusiva dada à jornalista Cynthia Schneider, da ANDA, Sheila Waligora fala sobre a comunicação com os animais, divide sua experiência e sua opinião sobre perspectivas para o convívio entre espécies e reinos.



ANDA – Você escreveu um livro sobre a comunicação com os animais e sua atividade profissional está bastante focada nisso. Como começou o seu envolvimento com o tema do relacionamento entre as espécies?

Sheila Waligora – Como muitas crianças ,eu conversava muito com os bichos com os quais eu tinha proximidade, como os de casa. Sempre foi uma coisa muito natural para mim. Mas o que acontece com a maioria das crianças é que, por causa da cultura, elas param de conversar com os seres da natureza, com os animais, com os seres que elas enxergam. E eu não parei. Para mim sempre foi prioritário conversar com os animais. Eu sempre olhei para eles como seres espirituais com os quais eu podia conversar. E depois de um tempo, depois que eu estava formada, a maneira como eu abordava os animais chamava um pouco a atenção. As pessoas falavam: “Eu nunca vi ninguém chegar perto de um animal dessa forma. Você é diferente. Você primeiro cumprimenta o animal de longe, fica conversando com ele, explica o você veio fazer, pede licença…”. E é algo natural mesmo, eu não aprendi na faculdade. Era espontâneo, eu nem tinha consciência que estava fazendo algo diferente. Mas aí, no ano 2000 eu encontrei o trabalho da Penélope, que foi minha professora, e fui fazer cursos com ela, já com esta visão de trazer para o Brasil. A partir de 2001 eu comecei, depois ela veio para dar cursos, eu escrevi o livro e a ideia progrediu.

 
ANDA – Qualquer pessoa pode desenvolver a habilidade de se comunicar com outras espécies?

Sheila Waligora – As pessoas sempre perguntam isto nos cursos, se qualquer pessoa pode. A princípio, acho que qualquer ser humano pode se conectar com a natureza e com os reinos da natureza. Neste ano meu trabalho está expandindo um pouco para a comunicação com os reinos. Não só com os animais domésticos, mas com os seres que regem a vida das árvores, das plantas, dos minerais. Potencialmente as pessoas têm esta capacidade. Mas muitas vezes ela fica dormente. A consciência dela não se expande e ela continua vivendo a vida toda se sentindo separada dos outros seres, com uma dificuldade muito grande até de entender este trabalho de comunicação. A pessoa não atina, ela acha que isto é uma viagem, que isto não é possível, que o animal tem uma língua diferente da nossa. Elas pensam: “Como você vai se comunicar com eles e para quê?” Isto parte do fato de a pessoa se colocar no mundo separada das outras espécies. Esta comunicação acontece quando você dissolve as barreiras. E cada um tem o seu caminho para isto. Podem ser práticas como a meditação ou só pelo fato de a pessoa amar a natureza e ficar um tempo em silêncio. Ela vai começando a se conectar e vai sentir a inexistência de barreiras. A gente se vê separado dos outros seres. Mas isto é uma visão contraída nossa. E você não pode falar para uma pessoa que ela não está separada do cachorro, porque ela está vendo que está separada. Mas isto é uma visão contraída, é um estado que a gente vive aqui na Terra, que é um estado denso, por causa de vários fatores, por causa da nossa alimentação, dos pensamentos, aquilo que alimenta os nossos olhos, os nossos ouvidos, os nossos corpos.

 
ANDA – Como é a experiência de compreender os animais, de fazer uma comunicação espiritual com outra espécie?

Sheila Waligora – Nós temos uma vivência e um olhar com uma densidade em relação às coisas. Por um lado nós estamos separados e não podemos nos comunicar. Mas, se você acessa outros canais, a comunicação acontece. A pessoa pode entender que o outro ser está se comunicando com o corpo inteiro, ela pode ter uma percepção de saber o que está acontecendo, ela pode receber a mensagem através de sonhos, através de cheiros, de imagens. Tem pessoas que veem quadrinhos passando, um atrás do outro na mente. É difícil falar dos outros. Mas eu quando me comunico, eu percebo com meu corpo inteiro, é algo que eu sei dentro de mim. É algo que não é o meu pensamento, porque eu já aprendi a diferenciar o que é meu, fabricado na minha mente e o que é algo que chega de uma outra forma. E eu me coloco num estado de muito respeito, tem uma maneira que eu abordo os seres, eu tenho um passo a passo. Eu cumprimento aquele ser, eu me coloco de uma forma humilde – dizendo que eu não sou nem melhor nem pior, mas sou um ser diferente e quero conhecer o que acontece dentro daquele corpo. É mais um trabalho de consciência do que um trabalho que você consegue pegar. Eu sou muito ligada à questão da expansão da consciência. Eu acho que o mínimo que é esperado dos seres humanos neste momento da humanidade é expandirmos a nossa consciência. A consequência disso é ficar habilitado para receber mensagens de outro ser. E dá um trabalhão explicar para as pessoas. As pessoas vêm para o curso com uma expectativa romântica, infantil, como se fossem falar com os animais como nos filmes.

 
ANDA – Você poderia dar algum exemplo de caso de comunicação com os animais?

Sheila Waligora – Isto sempre me acontece nas consultas. Quando as pessoas estão atravessando alguma situação com um animal e me chamam é que acontece o trabalho. E não sou eu que faço, ele acontece através de mim. Como você pode perceber, eu sou ligada com a espiritualidade mesmo. Eu trabalho com os seres dos animais, eu me coloco como canal para que a cura aconteça. Eu tive um caso de um animal que estava morrendo e os donos estavam supertristes. Eles também eram velhinhos e o neto me chamou, porque estava entusiasmado com o meu trabalho. Eu negociei com o animal se ele ficaria mais um pouco. E ele me transmitiu que ele não tinha mais nada para fazer aqui e que já iria partir. Aí eu expliquei: “Olha, as pessoas que cuidam de você têm muito apego e seria muito difícil para elas. Você ficaria mais um pouco?” E ele aceitou. Eu ofereci também uma cadela para ficar junto com ele. E foi muito lindo porque no dia seguinte veio na minha porta uma moça doando uma cadela. O outro milagre foi o casal de velhinhos aceitar, porque a mulher não queria outro cachorro de jeito nehum. E foi realmente uma coisa divina, ela mudou da água para o vinho em questão de minutos. Você via que tinha outras forças atuando ali. Aí eles adotaram esta outra cadela, ela se deu muito bem com o cachorro, ele se reanimou, ficou mais seis meses e de novo se encaminhou para morrer. Mas aí os donos já estavam com outra postura, eles haviam tido tempo de aceitar aquele processo de um animal tão querido. Assim é possível ver como a interferência de um terapeuta, um veterinário com esta visão pode mudar tudo. E depois que o cãozinho morreu ficou esta cadela com os donos e eles até aceitaram adotar ainda um outro cachorro que eu achei jogado na faculdade para fazer companhia para ela não ficar sozinha. Eu tive também um outro caso de um cachorro que vivia em apartamento, era um cachorro grande, ele já ia perfurar a porta de tanto raspar, porque não aceitava que a dona saísse. Através desta comunicação ele mudou. Ele simplesmente parou de fazer isso, ele entendeu. As pessoas não imaginam que os animais estão só esperando para a gente se comunicar com eles.

 
ANDA – Poderia comentar sobre o conteúdo do seu livro Eu falo, tu fala… eles falam?

Sheila Waligora – No começo eu coloquei o livro como sendo um manual. Teve duas edições, agora estou na terceira, que tem bastantes relatos de casos, de comunicação com várias espécies, inclusive vegetais. Eu acho que o meu trabalho é espiritual, de expansão da consciência e que envolve a espiritualidade. E o canal onde eu me expresso é através do relacionamento do ser humano com os animais, as plantas. No livro tem sobre tudo isto, o meu percurso, há uma parte sobre comprovação científica, porque as pessoas duvidam, dizem que não têm comprovação. No livro eu dou algumas práticas, falo sobre comunicação com os reinos animal, vegetal e mineral, sobre a conexão entre intuição e telepatia e faço um relato sobre uma experiência que eu tive com os elefantes na Tailândia, que foi muito bonito, com um ser com quem eu nunca tinha tido contato. Há também exemplos com insetos – com pernilongos – sobre como a gente pode conviver com eles sem ficar colocando veneno no meio ambiente. E há também as dicas do dia-a-dia, para quando o animal vai ser operado, vai viajar, quando você vai mudar de casa, quando o animal é muito ciumento. E eu ensino também como a pessoa se prepara para uma consulta para poder aproveitar ao máximo, como lidar com a morte, com a separação do animal e falo um pouco sobre o silêncio, que eu acho que é uma prática muito importante para este trabalho.

 
ANDA – Como é sua rotina em relação ao equilíbrio pessoal para a execução deste trabalho?

Sheila Waligora – A prática principal na minha vida é a meditação. Eu medito todos os dias, tenho esses momentos de silêncio no meio do dia e, quando eu posso, no meio e no fim do dia também. Eu procuro viver no máximo de silêncio possível, eu não estou procurando ocupar todos os meus minutos, todo o momento que eu tenho livre; eu fico em contemplação na natureza, não pergunto nada para ninguém, para nenhum ser. Eu não saio por aí perguntando, mas acontece de eu estar andando na natureza e eu ouço a natureza me chamar. Aí quando eu ouço eu vou lá, paro e pergunto: “Você gostaria de dizer alguma coisa?”. Aí geralmente eu já escrevo, publico no blog, ou preparo algum texto. Mas não é algo consumista. A gente tem uma mentalidade muito consumista. A gente quer um uso para as coisas. A minha prática do dia-a-dia é sair desses padrões. Não quer dizer que eu tenha sucesso sempre. Ontem, por exemplo, eu parei tudo o que eu estava fazendo e fui preparar uma fogueira. Tem um espaço aqui bacana e eu deixei tudo preparado para de noite ter uma fogueira. Eu procuro fazer coisas que não tenham muito sentido lógico para desenvolver o outro lado do cérebro.

 
ANDA – Você acredita que no futuro a comunicação entre as espécies será uma realidade?

Sheila Waligora – Eu acho que sim, tem muitos mundos por aí, nos planetas há graus de evolução diferentes. A gente está precisando aprender lições que a gente não aprendeu ainda. Depois disto é que podemos passar para outros planetas, outros mundos mais evoluídos. Este planeta aqui é um planeta escola, onde tem de tudo: seres muito evoluídos, seres pouco evoluídos. Não é todo mundo que respeita os animais. Há muitas pessoas que são respeitosas, mas é claro que a massa não é. Mas o problema das pessoas que estão numa busca, quando elas veem o que está acontecendo lá fora, ficam muito desestimuladas. Elas pensam que jamais vão conseguir equilibrar a situação. Como não estamos preparados, a crueldade que veem praticarem contra os animais elas sentem no nosso corpo. Mas o único lugar em que cada pessoa pode mexer é na sua própria mente. O único trabalho que a gente pode fazer é o desenvolvimento pessoal. E esse trabalho vai irradiando para tudo o que você toca. Conforme a pessoa vai expandindo seu coração, seu amor, sua boa vontade, ela vai atraindo situações e pessoas que estão neste caminho. É um grande erro querer mudar as coisas fora, traz muitas complicações. Acredito que uma pessoa, se durante a vida tiver um gesto muito expandido com um animal, pode ter certeza de que isto afeta a espécie inteira. É uma questão de expandir a própria consciência para se tornar uma pessoa melhor e irradiar isto.

 
ANDA – Que mensagem você deixaria para quem está iniciando essa busca para a integração e comunicação entre os seres?

Sheila Waligora – A gente precisa fazer mais do que aquilo que a gente acha muito. Hoje a gente precisaria dar um impulso muito maior nas nossas ações, porque a inércia está puxando muita gente. A contaminação do astral está muito pesada. A impressão que eu tenho é que se há algo que a gente precisa fazer urgentemente no mundo é buscar maneiras de expandir a consciência para criar um ambiente de harmonia na terra. Essa é a nossa missão na terra: poder entrar nestes espaços de amor e criar um ambiente melhor à nossa volta.


28 de agosto de 2009

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